Olhos da Amazônia

Em pinturas, esculturas e estampa em tecidos, a artista proporciona os frutos de insights. Manifestam-se as percepções de energias, de luzes-cores e de linhas símbolos mágicos, que presidem o mundo da floresta: o espectro de cores cristalinas e a presença de espirais, linhas paralelas, ou entrecruzadas, gregas, círculos e triângulos. Atraem a artista os corpos e as pinturas que neles se desenham: símbolos mágicos. A artista é também seduzida pelo olhar do povo da floresta, que interroga o mistério do ouro, daquele que também observa, no confronto de mundos diferentes. Explora a sedução das marcas mágicas e das texturas – rastros materiais por sobre superfícies dos corpos, da cerâmica, e agora por sobre as telas, formando tramas multicoloridas. Nas esculturas deste segmento, o empenho criativo é o de mostrar a figura da mulher índia, composta por simbólicas espirais, quer no movimento das massas do tronco, quer na incisão destas no busto, esquemática codificação da energia feminina das cunhãs. Os relevos apresentam os muiraquitãs, preciosos amuletos, símbolos da fertilidade, decodificados em suas formas essenciais, da geometria do losango, que se repetem em incisiva presença. O dinamismo criativo amplia sempre as  dimensões do inconsciente, trazendo uma percepção de sacralidade, da essência do símbolo.

Daisy Peccinini

Galeria “Xingu – Olhos da Amazônia”