Arqueologia

No final da década de 1960,  interessada nas artes e artefatos dos grupos indígenas da Amazônia, Beatriz se depara com os achados arqueológicos  da cultura de Santarém datados do século VII da nossa era.

Entre os achados em cerâmica destaca-se uma Figura Feminina de olhos abertos e sorridente expressão, o tronco marcado por espirais incisas. Tornou-se esta figura obsessão no imaginário da artista por sua singularidade.  Os ídolos  na história da humanidade expressam poder e  raramente a alegria como no caso desta Figura Feminina de  Santarém.

Ao retomar este tema a partir de 1988, ela desenvolve um mito pessoal em torno dessa figura feminina que passa a representar não só a fertilidade, mas também prosperidade, alegria de viver e boa sorte.  Beatriz criou em torno do ídolo de Santarém, sua mitologia pessoal na série Visões do ídolo de Santarém que aparece em diferentes patamares de criatividade e situações.

Apresenta-se em suas obras: pinturas, gravuras, esculturas, afrescos, jóias, objetos e relevos. Toma existência material na linguagem da pintura, no intimismo da gravura e mais concretamente nas grandes esculturas- totens, expandindo-se em instalações.

Adquire  o preciosismo de jóias, a aura de divindade, do ouro alquímico, em pequenas peças, guardadas em caixas-sacrário. Ou em relevos, circundados de requintadas molduras, que fazem sobressair a Deusa,  proporcionando contemplação, assemelhando-se às imagens votivas.

Daisy Peccinini

Galeria “Arqueologia”